terça-feira, 27 de março de 2012

ballerina
é como se eu fosse derretendo pelas bordas um pedaço de plástico com um isqueiro
uma caixinha de cd

lutesong
é como se eu fosse abrindo e abrindo minha mão e esticando o espaço entre os dedos
e pouco a pouco minha pele estrala e minha mão não existe mais

segunda-feira, 19 de março de 2012

instalação sonora

toda vez que você tenta dormir trinta sirenes

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
eu quero ser queijeiro.

bonito

TODO DIA de noite no laguinho
tintila água bonita e de noite na universidade tem coruja;
de verdade sem rima.

sábado, 19 de novembro de 2011

quando é que o dadaísmo vai chegar à alta cozinha
e então nesse dia meleca de nariz passa a ser um fino trato
que poeta infantilizado...

DO NARIZ dos mais distintos chefs.
terroir do semi-árido.
leilão na christie's um potinho de catarro
do nariz da claudia schiffer
conservado em azeite trufado
no supermercado entre as azeitonas na salmora e as alcaparras
-meleca de nariz manzanilla da espanha
oferta da semana.

Fazendas de gente genética modificada bebês in vitro GRANDES NARIZES sem corpos produtores de nhaca;
CATOTA!

Semeia o resfriado!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

funcionários do bradesco

de manhã a primeira coisa que se faz é a barba
pra lembrar logo de cara a aflição que é o mundo te arranhando
fora do quarto alugado
como se fosse uma medusa oca que abraça o batente da sua porta
e te acaricia com os milhões de tentáculos de ponta de arame

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

venta muito

domingo, 25 de setembro de 2011

jantei um omelete de ovos envenenados na beirada da janela
esperando pra cair na varanda

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

como vai tudo bem

como vai tudo bem
como vai bem obrigado só queria que tudo fosse um pouco mais alto a little bit louder mentira que eu queria tudo alto pra caralho but i don't have a good sound system anyways i wanted the guitar to be louder and muffle the carpet and not the opposite eu queria que o wagner tivesse escrito tudo em fortíssimo só agora e morra isolda morra

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

trocadilhos nos títulos das minhas músicas

sábado, 6 de agosto de 2011

santos é uma cidade cansada da discussão terminando o último copo antes de ir pra casa.
uma cidade sem argumento, utilitária e absurda ao mesmo tempo.
espalha os braço num vento fedido
santos tempo
santos um abraço macio e te cospe na cabeça.
uma ilha de antes que eu me esqueça
ruidoso vulcão duro emergindo lutando contra o brasil e o oceano ao mesmo tempo; santos tempo

sábado, 9 de julho de 2011

mil aparições negras esguias se arrastam
velam o meu sono
o rosto de aparição católica de cerâmica fria aprece estampado em todos os nós de madeira de cada porta e cada móvel cada estalo do andar
em cada canto que o olho não alcança um corpo morto enforcado
anjos de granito verde escuro me embalam
mil pessoas mortas em volta do meu leito todas de pé me encaram do centro de suas sombras
barulho de moto e riso são cartas desmanchadas no leite eterno da mãe celeste
a perfeição que amedronta e atormenta
um jogo de lembranças
mil aparições católicas deslumbrantes num choque de abrir a janela o alumínio frio e são francisco de assis
um aquário de peixes entumecidos de prata líquida e algodão todo eles recitam:
"moça estuprada pelo vento que sai de mim"
camponesa
eu não consigo
mil
móveis
cantos

sábado, 18 de junho de 2011

t:

-ele não mora mais aqui faz tempo tá grandinho

queria eu ser homem grandinho! eu lhe telefono para oferecer serviços, quisera eu oferecer saudades! quisera eu poder ser vaidosa meu uniforme é cinza! queria uma modinha serenata na minha janela palacete colonial quisera eu trabalho de noite e volto pro meu apartamento no BNH quisera eu! quisera! maquiagem rosa forte

o assalto nos tempos do COLLOR

devia ser uma merda impossibilitada a correção pela inflação

quinta-feira, 2 de junho de 2011

as casas bahia gritam mentiras mal-disfarçadas pra dentro da minha casa enquanto eu corto um queijo com toda a parcimônia
foda-se
meus móveis nem são meus

quarta-feira, 1 de junho de 2011

do lado esquerdo do seu corpo desembainhou a mão destra vazia à altura dos seus olhos
e a observou cair numa brancura infinita do seu braço
a cada nova fatia, o queijo revela de si uma nova face nunca antes vista, mais esbranquiçada ao centro ou mais amarela, numa ferida exposta um talho numa tábua de pia;

segunda-feira, 23 de maio de 2011

brasil!

paulista povo pingüim

quinta-feira, 5 de maio de 2011

sartre nos visita no meio da madrugada (monólogo de um abujamra jovem)

noites frias em que masturbo até secar
noites frias nas quais sair das cobertas é de novo um novo parto ser expelido no frio do mundo berro alto e choro, esperneio e me conformo;
todo mundo só quer um aconchego

todo mundo só quer um pouco de carinho

domingo, 1 de maio de 2011

santos

construam por sobre a terra de santos
quantas lápides quiserem
as mais altas, ver qual terra morre mais

Em Santos não existe mais chão

Santos um grande cemitério, o cemitério dos santos todos unidos
onde se enterra presidentes, advogados do largo de são francisco
enterra-se livros
enterra-se em santos todos os que ali mesmo morrem sufocados
santos santos terra sem nada um grito que não ressoa uma ressonância sem grito santos dos comunistas mortos e dos quase ricos
cidade sem sotaque
sem cinema mais nenhum.

terça-feira, 26 de abril de 2011

foakeanismo

frase defeito