cabe tudo debaixo desse manto estrelado
todos nós cá abrigados estamos
todos nós dois.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
anton webern
quando eu era criança bem criança
e ouvia o trem passando
ecoando o silêncio da madrugada
ressoando no nada o trilho metal contra metal
eu pensava que era deus tocando flauta
agora nesse mato seco
esplanada
eu vejo cada estrela
o céu nunca nubla
cada estrela tem um som
e eu penso: Anton Webern
e ouvia o trem passando
ecoando o silêncio da madrugada
ressoando no nada o trilho metal contra metal
eu pensava que era deus tocando flauta
agora nesse mato seco
esplanada
eu vejo cada estrela
o céu nunca nubla
cada estrela tem um som
e eu penso: Anton Webern
domingo, 3 de abril de 2011
bicicletas
as bicicletas nas paredes as bicicletas na calçada as bicicletas debaixo da bunda deles
as bicicletas
as bicicletas voam
quinta-feira, 24 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
como começar contudo
como trazer do silêncio e ler, do ar vazio
um pedaço de poeira que dança
e fazer palavra - a porta bate.
há vácuo, aumento súbito de pressão num quarto trancado
do tamanho dum quarto trancado um som, uma barra de aço e o céu detrás
explode e devasta o nada
como começar contudo, nonada
eu não lembro de nada do meio
mas como começar contudo, nonada
como começar a história 'a história'
ou deitado he lay flat on the ground.
quando eu sair daqui - começar como
como começar errado, já trancado
:eu estou trancado. a porta abre
a porta fecha
comecei mal.
tudo é estático e venta
como começar história se não tem história do vento
como começar contudo do vento
como começar o tempo e o vento
venta vento
escreve escriba
e o teu sensível dá nó dá nó sensível nó nomeia prado nomeia morro nomeia eu no meio danço e quem dança, a bailarina trôpega e bêbada já no fim da madrugada dança triste porém dança, contudo dança o salão alumiado de breve dança como se adiantasse algo que fosse, danço eu o salão é vazio, sem música, a música é colocada depois no estúdio mas ela dança sozinha e depois que ela dança o vento continua sendo nada o vácuo bateu a porta enquanto ela dançava mas ela não ouviu bateu bem devagar.
a bailarina bêbada tropeça num compasso sete por oito, eu já esperava
e aí ela dissolveu no ar
espedaçou-se em um tantão de pedaço de poeira viva
imagina agora um sol quentinho meio frio de seis horas da manhã
uma casa antiga belle epoque, um chão xadrez branco e preto, o alto de um morro, o monte serrat. que escritor horrível eu sou.
como trazer do silêncio e ler, do ar vazio
um pedaço de poeira que dança
e fazer palavra - a porta bate.
há vácuo, aumento súbito de pressão num quarto trancado
do tamanho dum quarto trancado um som, uma barra de aço e o céu detrás
explode e devasta o nada
como começar contudo, nonada
eu não lembro de nada do meio
mas como começar contudo, nonada
como começar a história 'a história'
ou deitado he lay flat on the ground.
quando eu sair daqui - começar como
como começar errado, já trancado
:eu estou trancado. a porta abre
a porta fecha
comecei mal.
tudo é estático e venta
como começar história se não tem história do vento
como começar contudo do vento
como começar o tempo e o vento
venta vento
escreve escriba
e o teu sensível dá nó dá nó sensível nó nomeia prado nomeia morro nomeia eu no meio danço e quem dança, a bailarina trôpega e bêbada já no fim da madrugada dança triste porém dança, contudo dança o salão alumiado de breve dança como se adiantasse algo que fosse, danço eu o salão é vazio, sem música, a música é colocada depois no estúdio mas ela dança sozinha e depois que ela dança o vento continua sendo nada o vácuo bateu a porta enquanto ela dançava mas ela não ouviu bateu bem devagar.
a bailarina bêbada tropeça num compasso sete por oito, eu já esperava
e aí ela dissolveu no ar
espedaçou-se em um tantão de pedaço de poeira viva
imagina agora um sol quentinho meio frio de seis horas da manhã
uma casa antiga belle epoque, um chão xadrez branco e preto, o alto de um morro, o monte serrat. que escritor horrível eu sou.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
remodelagem das travessias da avenida dois/pça henfil/roxo
atravessei a rua tropecei no meio fio olhei prum lado o outro olhei não
molhei o pé na tampa do bueiro que era mais baixa do que o recém concretado novo nível no vêio velho do chão de concreto calçada molhei o pé não porque estava descalçado chovia tanto que me encharcou e então esmaeci.
lívido, livo, liver, livro, leave listo morri no meio-fio branco e preto um fio inteiro trançado à mão, um filme inteiro lançado ao chão, descortinando no chão, o chão, o chão de pedra moída, o chão de brita, o chão de brilho o chão delito um fio inteiro feito à mão um meio de caminho um meio de comunicação é um fio esticado duas latas de ervilha um chão um fio liga à outro fio um pai e um irmão um meio fio tropeça alguém sem nadie morre no meio fio, concussão;
E NA MÃO UMA FOLHA LIA:
Ah! Perfídia! PERFÍDIA DO AMARAL<>23 ANOS AO MORRER
Nº de tombo - B869.35 R354v
molhei o pé na tampa do bueiro que era mais baixa do que o recém concretado novo nível no vêio velho do chão de concreto calçada molhei o pé não porque estava descalçado chovia tanto que me encharcou e então esmaeci.
lívido, livo, liver, livro, leave listo morri no meio-fio branco e preto um fio inteiro trançado à mão, um filme inteiro lançado ao chão, descortinando no chão, o chão, o chão de pedra moída, o chão de brita, o chão de brilho o chão delito um fio inteiro feito à mão um meio de caminho um meio de comunicação é um fio esticado duas latas de ervilha um chão um fio liga à outro fio um pai e um irmão um meio fio tropeça alguém sem nadie morre no meio fio, concussão;
E NA MÃO UMA FOLHA LIA:
Ah! Perfídia! PERFÍDIA DO AMARAL<>23 ANOS AO MORRER
Nº de tombo - B869.35 R354v
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
gá
o poeta silencia:
palavras são só ensaios pra flauta e fagote
num mundo mahleriano de sinfonia
o poeta quase rima
e emite a nota fiscal;
a lista de compras sua no bolso de trás
sal
o poeta dorme a sesta
embaixo da mesa de centro
o poeta é uma bomba de pimentão assado
uma pedra que quebra a janela do banco do brasil
vários poetas tarados
palavras são só ensaios pra flauta e fagote
num mundo mahleriano de sinfonia
o poeta quase rima
e emite a nota fiscal;
a lista de compras sua no bolso de trás
sal
o poeta dorme a sesta
embaixo da mesa de centro
o poeta é uma bomba de pimentão assado
uma pedra que quebra a janela do banco do brasil
vários poetas tarados
domingo, 20 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
beduíno
eu sou um beduíno;
errando pelo caminho.
o erro é a única saída da realidade, um tropeço e você cai num lugar que não é mais o mesmo.
muita pieguice esse negócio de colocar ensinamentos num blogspot.
errando pelo caminho.
o erro é a única saída da realidade, um tropeço e você cai num lugar que não é mais o mesmo.
muita pieguice esse negócio de colocar ensinamentos num blogspot.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
carros japoneses (toyota etc
um pouco de ar fresco invade os pulmões de quem se deixa inflar um pouco
um pouco tanto dispersa acorde agora veja a aula a cadeira carteira fórmica branca azulada te mande um beijo um tanto quanto pouco
um brinco pérola uma pomba uma outra pomba paloma juntas acordam agora arrulhando a janela de alumínio branco azulado
um céu azulado tanto quanto uma pomba acordada inflada de ar atmosférico termoesférico acordado.
um tchau da janela um pedaço de planta arrancada do vaso um tanto quanto um mato um naco ar fresco venta forte é quente noroestão deixa inflar um pouco a casa.
acordo às trÊs da tarde aos berros as buzinas em cânones da avenida um coral acordes urbanos um tanto quanto exótico
E EU NADA
um pouco tanto dispersa acorde agora veja a aula a cadeira carteira fórmica branca azulada te mande um beijo um tanto quanto pouco
um brinco pérola uma pomba uma outra pomba paloma juntas acordam agora arrulhando a janela de alumínio branco azulado
um céu azulado tanto quanto uma pomba acordada inflada de ar atmosférico termoesférico acordado.
um tchau da janela um pedaço de planta arrancada do vaso um tanto quanto um mato um naco ar fresco venta forte é quente noroestão deixa inflar um pouco a casa.
acordo às trÊs da tarde aos berros as buzinas em cânones da avenida um coral acordes urbanos um tanto quanto exótico
E EU NADA
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
poeminha
Do infinito a um ponto qualquer
Me esgueirando entre frestas em suas roupas
Florestas de nuvens e jovens moças,
Me recordando do desejo de esquecer.
Meu coração sangra por ti
De sangue encarnado como teus cabelos
Emolduram teu rosto os meus desejos
De ternura ou indecência.
Durante as noites mal dormidas
De insônia eu te chamava em várias línguas
Versando palavra por palavra, em vão desespero,
Minh’alma pela metade; dando-me por inteiro.
Me esgueirando entre frestas em suas roupas
Florestas de nuvens e jovens moças,
Me recordando do desejo de esquecer.
Meu coração sangra por ti
De sangue encarnado como teus cabelos
Emolduram teu rosto os meus desejos
De ternura ou indecência.
Durante as noites mal dormidas
De insônia eu te chamava em várias línguas
Versando palavra por palavra, em vão desespero,
Minh’alma pela metade; dando-me por inteiro.
domingo, 2 de janeiro de 2011
crianças bilíngües
if a droplet of rain
crosses morning sky
how beautiful a rainbow
for all children's eyes
se uma gota de chuva
pinga na goteira dentro do seu ouvido
ai que gostoso - uma otite
la
la la la
la la la
la la la.
crosses morning sky
how beautiful a rainbow
for all children's eyes
se uma gota de chuva
pinga na goteira dentro do seu ouvido
ai que gostoso - uma otite
la
la la la
la la la
la la la.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
bureau de todos os municípios ricos e pobres ajuntados deste estado menos um:
todas as ruas da vila-município
devidamente com suas placas iguais às da capital da província;
cada uma homenageando um antigo latifundiário de pequenas proporções (hoje em dia).
inclusive a rua um - por onde passam os carros meio de lado evitando o lamaçal
e no meio da quadra, há um charco mais um mato alto. todas;
devidamente com suas placas iguais às da capital da província;
cada uma homenageando um antigo latifundiário de pequenas proporções (hoje em dia).
inclusive a rua um - por onde passam os carros meio de lado evitando o lamaçal
e no meio da quadra, há um charco mais um mato alto. todas;
domingo, 26 de dezembro de 2010
samba de roda
eu queria
ser dois homens num só
beber por dois, comer por dois amar por dois
e depois - na hora de pagar a conta
ter quatro pernas pra correr; e dividir o segredo com mais eu mesmo e mais ninguém, oi
eu queria
eu, mais dois
ser dois homens num só
beber por dois, comer por dois amar por dois
e depois - na hora de pagar a conta
ter quatro pernas pra correr; e dividir o segredo com mais eu mesmo e mais ninguém, oi
eu queria
eu, mais dois
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
relato onírico
sonhei que destrinchava um porco morto pelas costas num tanque branco de louça
sonhei que ao esfaquear a coluna do porco a pele se desintegrava errada tal qual tecido e como se fosse uma areia de grãos gigantesentrava na minha boca que vazava gordura e então eu desmaiava enquanto os outros dois que cá habitam pegavam um táxi
sonhei que a chuva era torrencial e desimportante
sonhei que então desmaiava
acordei enojado
sonhei que ao esfaquear a coluna do porco a pele se desintegrava errada tal qual tecido e como se fosse uma areia de grãos gigantesentrava na minha boca que vazava gordura e então eu desmaiava enquanto os outros dois que cá habitam pegavam um táxi
sonhei que a chuva era torrencial e desimportante
sonhei que então desmaiava
acordei enojado
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