sábado, 9 de janeiro de 2010

A volta do meloso.

Magina se esquece a cor da calcinha preferida dela, seus beijos arrepiantes na orelha.

Aprenderam a não discutir. O silêncio era confortante. A fala depois do vácuo, o beijo depois da distância e o abraço depois do choro, fazia cada segundo valer a pena.
O problema foi o desaprender. Quando acordados, atordoados.
O jeito era: secretamente, fingia dormir, apenas pra ficar mais tempo olhando pros cabelos dela.
..Ainda é bem moço prá tanta tristeza.

De Par Sexual.
De Ímpar Amoroso no meio.

A rainha do anticarnaval. Nunca irá inspirar um samba.

cidade nenhuma há de me engolir

posta a minha grandeza.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Punhética, do benemérito sr. Victor Sadalla

Estou farto da metida comedida
Da metida bem comportada
Da metida funcionário público com livro de ponto expediente
de revistas proibidas do Sr. Comedor.
Estou farto da metida que pára e vai averiguar no confessionário
o cu do vernáculo de um Drummond.
Abaixo os puristas
Todas as raspadas sobretudo as barbadas universais
Todas as posições sobretudo a dupla-penetração
Todos os gritos sobretudo os embriagados
Estou farto da metida namorador
Política
Fatídica
Sifilítica
De toda metida que banho-romaneia a quem vai dentro e
fora de si mesmo
De resto não é metida
Será o tamanho dos co-senos ou personal das amantes
de exemplares modelos tântricos e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes os gemidos dos loucos
O choramingo das castras
O orgasmo pungente e difícil das castras
O da banguela do cais

- Não quero mais saber de metida que ainda é punhetação.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

previsão do tempo

chovia forte em todo canto, menos na cidade de jaguariúna. que tem lá de especial? não sei.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A velha a fiar

estava lá, em seu lugar, ela: a véia. eis então que vem a mosca a lhe fazer mal; a mosca na véia e a véia a fiar. estava lá a mosca bizuindo em seu lugar, e então vem a aranha a lhe fazer mal! a aranha na mosca, a mosca na véia e a véia a fiar. lá está a aranha, disse manuel, onde?, lá, oras!, ah, já a vejo... olha só, lá vem o rato! (o rato a aranha a mosca a véia).

O rato tentava se alimentar da aranha, presa na teia mas que ainda assim, inutilmente tentava alcançar à suas presas a mosca. A mosca zunia impaciente. Pousava e voava em torno da velha. Esticava a tromba. Batia asas. Voava. Eis então que vem, como de súbito, um felino implacável em sua caça, determinado, rajado de cor e que pula como o vento, das alvas patas, não manchadas do óleo que o distigue a pelagem, surgem garras, enormes presas, afiadas, apontadas sobre o nosso amigo hospedeiro da peste negra. Um amoreco de bicho. Ao gato, chamaremos-lho Jão, o gato. AO ver aquilo o vizinho que observava tudo pela fresta de porta que se abrira ao corredor do condomínio, exclamou: -o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na véia e a véia a fiáaaaaaa!

olha lá vem o cão correndo diz que diz ah, cão, corre pega o gato, balanganda as oreia por aí, bate a cabeça na mesa, nem liga e sai correndo babando a língua por cachecol molhando o pêlo, molhando o chão, molhando até o mar é tudo que se diz, morde o rabo do gato e diz ainda que é feliz, nem rabo tem, na época em que nasceu ainda se podia cortar a cauda dos cães por pura estética, cortem seus narizes horrendos, pensava o cão, mas cão não pensa, ele sabe instintivamente, e desse mesmo modo o cão percebe que está ele no gato, este no rato, o roedor na aranha, a aranha na mosca, a mosca na aranha, não! a mosca na senhora idosa e a mesma a fiar. (por motivos fóbicos, ansiosos, e tudo mais, não vou mais falar da aranha).

Estava a velha a fiar
Veio a mosca incomodar
Veio o mundo atrapalhar
A TV alta e a música do Jornal Nacional lhe desconcentraram, velha distraída.
Veio o pau no cachorro. o Fogo no Pau no Cão no Gato no Rato no treco no Rato no céu na Mosca na Velha. e a velha lá.

Água apaga fogo. Pedra amassa tesoura...

Veio um empresário rico engarrafá-la. A água não é bem que deveria poder ser expropriado assim:

Anno Domini 2087 - A Guerra da Água, por Folha de S. Paulo

O impasse da água se agravou hoje, com o ataque de manifestantes pró-PDA ao prédio da multinacional dos alimentos Nestlé, em Vevey, Suíça. O impasse teve início no departamento francês de Languedoque, onde terroristas colocaram sal na fonte da Perrier e saíram correndo. O líder do grupo, que se denomina Aníbal e é de origem basca, divulgou uma fita holográfica afirmando: "Nós teremos a água borbulhante da fonte para os nossos banhos semanais borbulhantes, queiram os empresários-ladrões ou não. Eu adoro quando as bolhinhas estouram nas minhas costas, e isso é um direito inalienável do ser humano!"
A embaixada brasileira em Berna confirmou que houve um brasileiro, funcionário expratriado da Nestlé, ferido no ataque, identificado como sendo o gerente pernambucano João Carlos Gomes. Seu estado de saúde é estável e ele terá alta amanhã pela tarde.

qualquer música

qualquer moça
qualquer dia
qualquer um
qualquer música.

toca a minha vitrola, troco a minha vitrola, toca na minha vitrola, toca, troca.

qualquer dia eu compro um piano.

(ou pianola)

domingo, 27 de dezembro de 2009

ponte em uruguaiana

eu vim andando desde laguna
e parei nesta ponte em uruguaiana
a sede já me mata nesta cidade de eterna paz.

daqui eu vejo os santos borja e pedro do rio grande, e vejo as corrientes, vejo as plantações, o paso de los libres.

aqui nesta fronteira é onde o tempo e o vento mudam, onde eu visto minha capa que é pra me esconder do minuano, ainda ontem era um veranico, daqui a pouco chove... tomo um trago e sento aqui; lá vem o trem... lá vem o cusco correndo gélido; olha lá o trem... américa latina logística...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

cada tudo

todo minuto é hora pra alguma coisa
toda hora é dia de algum mundo;
cada segundo, um quando escrito,
cada ano, uma década que dura um segundo

ou um terceiro.

cada tudo é um pouco de nada, cada estrada é um pouco de tudo, cada um cada dois cada um nenhum cada um a mais, um a menos, um segundo, um terceiro e um quinto. cada um coça o pinto
como bem lhe serve.

todo mundo é um minuto, toda hora é uma população, todo dia um país
e nação seria uma rima óbvia demais.
cada um, nenhum.

música

há um poema do Ezra Pound que eu não lembro
mas ele não diz nada, ressoa mais aqui em minha morada
o que quer que tenha dito Pessoa.

Há aqui na minha casa uma garrafa bem redonda, vazia, com ar, e eu a tomo por flauta de vez em quando...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

finanças

Há ali uma carta semi-aberta, semi-colcheia.

Leio-a? Semi-crime, afiançável e desesperadamente subornável (quase um berro, aceitam até Visa Electron)

A carta diz:

"Ilmo. Sr. Lucas Rodrigues





Vimos por meio desta informar-lhe que sua conta corrente neste banco está apta para suspenção por inatividade. Compareça a uma de nossas agências e converse com o seu gerente.

Equipe Santander"

...e tem gente que ainda escreve cartas? Que fará Lucas agora?

nem sabia que eu tinha conta em banco algum.

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Era tarde e era cedo, junto, e a moça da casa da frente resolveu, sei lá, dar uma volta na Ana Costa; atravessou pela galeria, olhou de lado e olhou apertado pra uma lojinha indecente, a qual ela morria de vontade de adentrar, mas ah, fez que não, seguiu reto, viu a livraria, fez que não, seguiu em frente. instalava-se ali um tumulto; ai quanta gente em torno de tão pouca moça, não aguentara a disparidade da nossa taxa de juros, não tinha mais contas a fazer em sua vida, não ligava mais para o cargo alto, investira no fundo errado, jogou-se do topo do prédio do banco do brasil. nossa heroína do gonzaga continuou andando e pensava em se arrepender de ter colocado saltos.

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Era cedo (e só), nossa heroína acordou na ponta da praia semi-nua e sem razão.

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Era tarde e nossa heroína dormia em sua casa.

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era quase outro dia e ninguém tinha mais história, era quase outra lua e ninguém tinha mais um fósforo pra alumiar a lua nova, aluar a luminosa, luna, lucas, diz lá se és feliz: eu sou feliz à prazo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ser

Eu sou um bravo bandeirante português
subo a serra desço a serra corro na serra nado na serra serro a serra serra a serra serra serra.

eu sou um bravo bandeirante paulista
e eu tenho uma estátua em santo amaro.

eu sou um bravo paulista
e pego trânsito indo pro trabalho
eu sou mais pra um paulista bravo
fico no carro, suando, ouvindo a miriam leitão falar bobagem
no trânsito. amarrotando o terno.

eu sou um bravo bandeirante paulista, eu fundei cuiabá.
subi pelo coxipó. eu fundei cuiabá.
eu vim lá das bandas de sorocaba pra isso.
eu e mais trinta índios, 20 mulatos e uma penca de negros.
fundar cuiabá...

eu sou caiçara.

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no princípio nhandervuçú criou a alma, e a dessa a mais antiga, a chamavam anhangüera. todo mundo sabe de tupã, mas foi nhandervuçú que o criou. é que nhandervuçú é muito difícil de falar. nhandervuçú.

anhangüera foi à goyaz...

o sambaqui de guaibê

olha o monte, tupinambá, olha a concha que faz guizo
olha o riso
olha o céu, olha o mar, do guarujá, olha lá...

olha só que homem novo.

olha o caiçara, a armadilha do mato.
olha o sapo, olha o mato.

olha a terra, olha o mangue, olha o sangue escorrendo dos tupis de riba-serra
olha a serra, escarpa do mar

olha o nosso filho jogado no chão, olha o urubu sobrevoando, olha o manto
de folhas secas de ipês, de restos foscos de bromélias
olha o céu, olha o mar, olha o barco grande

o mar de morros que eu nado a pé...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

a morena como a ninfa tropical

é bem verdade que as ninfas do camões são tropicais, mas vá lá, veja bem; camões não era vinícus nem tom, camões lá sabia o que era saudade (sabia), já lá teve uma morena, conheceu esse pecado, já provou desse dilema? damas da corte não contam, eu quero damas do jardim da praia, eu quero moças morenas, beijadas de sol, abraçadas pelo mar, que caminham mudas com olhar pra mim sentado ali no banco, um olhar de soslaio, me quebrando todo por não ir lá acompanhá-la, eu não posso, ela é toda do sol, que vai engolindo essa moça ao longo da orla, na direção do guarujá... e leva ela com ele, em sua carruagem de apolo, e quem sou eu pra contrariá-lo, senão um mero observador de coisas, um escriturário, mas assim, e assim ela conhece o mundo, assim ela sabe das lendas do boto e das lendas do cataio, ela sabe mas não diz, por que moça não me diz o que passa, só sorri? por que moça, não me dá um oi quando passa, abaixa o olhar, meio sem graça, só pra quando voltar brilhar mais, ofuscar as vistas, me tirar as pistas, me tirar do sério...? é saudade de um tempo que ainda nem veio.

domingo, 13 de dezembro de 2009

a problemática do choro e do tango

eu miro fixamente o lustre de uma só lâmpada
até ver o reflexo da minha própria face no globo fosco

e eu que era discreto, agora grito de alívio
e eu, dantes aberto, outrora fingido, por dias absorto serei
até que soe o tango e o choro no pianos dos salões de santos outra vez.

mas e as moças?
será que elas dançam o tango que sangra?
será que elas pas de deux ao invés de milonga? já não sei.

sábado, 12 de dezembro de 2009

bete boquete

Tatuou a encrenca no meio da testa, pegou o fuca e foi
pra festa, não era madrugada e ela já tava pelada,
fazendo uma preza pra rapaziada, onde ela vai ela
arrasta comitiva, Bete Boquete, Bete Boquete, Bete
o nome fala por si mesmo. A rainha.

a agonia do cego que estende a mão ao vento e o instante no qual lhe é tomada.

un casí silencio, una nota borrada de su mano
que ya se fue, se fue temprana,
no quedaría alí por mucho más todavía.
nota.

casí una nota, sino un silencio envuelto en harmonía
tendiendo a la oposición máxima de fuerzas
como se pudiera besar tu espalda con espalda
como si tu morenice era de seda, izquierda, la mía, yo olvido, me olvido de morena, ólvida, me olvido de mi portugués, solo queda la lengua de morena...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vélinho

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

lampião em capela

adentra a cidade acompanhado do sr. prefeito, corrupto.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Vislumbre de Naiad

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ulisses, fundador de Lisboa

Ulisses, rei de Ítaca, esculpiu na foz do Tejo uma diadema lusitana
esculpiu com a unha, em pedras do parque Monsanto,
o chiado, a baixa, a alta e belém... da ameixeira à sta. maria, à santos-velho e s. paulo
benfica até marvila...

Ulisses, rei de Ítaca, fez Lisboa para olhar pro mundo
ainda que se lembrasse sempre do velho continente
por ser constantemente afluída pelo Tejo no seu coração.

Já eu, moro em santos-o-novo, tocada pelo tejo na corrente fria do Brasil.

a nova primavera do foakeanismo

no meio de tanto kitsch, blog kitsch, e bordados, eis que surge uma flor.





quiche de pêra e roquefort.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

fish & bird

[...]
Assim o marinheiro deixou a princesa em terra firme e partiu, estibordo, ao norte.
Numa tempestade o pequeno barco fora chacoalhado à sombras espumantes ondulares, prateadas de luar.
Deitado na solidão de escombros em alto-mar, curvou-se.
Seu relógio, parado. As luzes, apagadas.
Olhou para o céu e na silhueta farta da lua que enchia seus olhos, um passáro lhe observara.
Do alto da torre, a princesa, fadada à maldição do fino eterno, enchia as lágrimas com o mesmo luar.
O marinheiro mirou o olhos do pássaro.. Você não me olha deste modo há anos, mas eu ainda estou aqui.
O mar então virou um espelho, onde o peixe deitava-se na lua e o pássaro na maré.