domingo, 25 de setembro de 2011

jantei um omelete de ovos envenenados na beirada da janela
esperando pra cair na varanda

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

como vai tudo bem

como vai tudo bem
como vai bem obrigado só queria que tudo fosse um pouco mais alto a little bit louder mentira que eu queria tudo alto pra caralho but i don't have a good sound system anyways i wanted the guitar to be louder and muffle the carpet and not the opposite eu queria que o wagner tivesse escrito tudo em fortíssimo só agora e morra isolda morra

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

trocadilhos nos títulos das minhas músicas

sábado, 6 de agosto de 2011

santos é uma cidade cansada da discussão terminando o último copo antes de ir pra casa.
uma cidade sem argumento, utilitária e absurda ao mesmo tempo.
espalha os braço num vento fedido
santos tempo
santos um abraço macio e te cospe na cabeça.
uma ilha de antes que eu me esqueça
ruidoso vulcão duro emergindo lutando contra o brasil e o oceano ao mesmo tempo; santos tempo

sábado, 9 de julho de 2011

mil aparições negras esguias se arrastam
velam o meu sono
o rosto de aparição católica de cerâmica fria aprece estampado em todos os nós de madeira de cada porta e cada móvel cada estalo do andar
em cada canto que o olho não alcança um corpo morto enforcado
anjos de granito verde escuro me embalam
mil pessoas mortas em volta do meu leito todas de pé me encaram do centro de suas sombras
barulho de moto e riso são cartas desmanchadas no leite eterno da mãe celeste
a perfeição que amedronta e atormenta
um jogo de lembranças
mil aparições católicas deslumbrantes num choque de abrir a janela o alumínio frio e são francisco de assis
um aquário de peixes entumecidos de prata líquida e algodão todo eles recitam:
"moça estuprada pelo vento que sai de mim"
camponesa
eu não consigo
mil
móveis
cantos

sábado, 18 de junho de 2011

t:

-ele não mora mais aqui faz tempo tá grandinho

queria eu ser homem grandinho! eu lhe telefono para oferecer serviços, quisera eu oferecer saudades! quisera eu poder ser vaidosa meu uniforme é cinza! queria uma modinha serenata na minha janela palacete colonial quisera eu trabalho de noite e volto pro meu apartamento no BNH quisera eu! quisera! maquiagem rosa forte

o assalto nos tempos do COLLOR

devia ser uma merda impossibilitada a correção pela inflação

quinta-feira, 2 de junho de 2011

as casas bahia gritam mentiras mal-disfarçadas pra dentro da minha casa enquanto eu corto um queijo com toda a parcimônia
foda-se
meus móveis nem são meus

quarta-feira, 1 de junho de 2011

do lado esquerdo do seu corpo desembainhou a mão destra vazia à altura dos seus olhos
e a observou cair numa brancura infinita do seu braço
a cada nova fatia, o queijo revela de si uma nova face nunca antes vista, mais esbranquiçada ao centro ou mais amarela, numa ferida exposta um talho numa tábua de pia;

segunda-feira, 23 de maio de 2011

brasil!

paulista povo pingüim

quinta-feira, 5 de maio de 2011

sartre nos visita no meio da madrugada (monólogo de um abujamra jovem)

noites frias em que masturbo até secar
noites frias nas quais sair das cobertas é de novo um novo parto ser expelido no frio do mundo berro alto e choro, esperneio e me conformo;
todo mundo só quer um aconchego

todo mundo só quer um pouco de carinho

domingo, 1 de maio de 2011

santos

construam por sobre a terra de santos
quantas lápides quiserem
as mais altas, ver qual terra morre mais

Em Santos não existe mais chão

Santos um grande cemitério, o cemitério dos santos todos unidos
onde se enterra presidentes, advogados do largo de são francisco
enterra-se livros
enterra-se em santos todos os que ali mesmo morrem sufocados
santos santos terra sem nada um grito que não ressoa uma ressonância sem grito santos dos comunistas mortos e dos quase ricos
cidade sem sotaque
sem cinema mais nenhum.

terça-feira, 26 de abril de 2011

foakeanismo

frase defeito

segunda-feira, 25 de abril de 2011

música: lucia's glowstick





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voz de ikram lucia basi
texto de karin boye


Ja visst gör det ont när knoppar brister.
Varför skulle annars våren tveka?
Varför skulle all vår heta längtan
bindas i det frusna bitterbleka?
Höljet var ju knoppen hela vintern.
Vad är det för nytt, som tär och spränger?
Ja visst gör det ont när knoppar brister,
ont för det som växer
och det som stänger.

Ja nog är det svårt när droppar faller.
Skälvande av ängslan tungt de hänger,
klamrar sig vid kvisten, sväller, glider -
tyngden drar dem neråt, hur de klänger.
Svårt att vara oviss, rädd och delad,
svårt att känna djupet dra och kalla,
ändå sitta kvar och bara darra -
svårt att vilja stanna
och vilja falla.

Då, när det är värst och inget hjälper,
Brister som i jubel trädets knoppar.
Då, när ingen rädsla längre håller,
faller i ett glitter kvistens droppar
glömmer att de skrämdes av det nya
glömmer att de ängslades för färden -
känner en sekund sin största trygghet,
vilar i den tillit
som skapar världen.


ENGLISH

segunda-feira, 18 de abril de 2011

música: desperta

Voz de frau Mari Von Zuben, piano de signor Giancarlo Staffetti







quais olhos
me cercam como um papel de parede
estampado de hibiscos
me embrulham, rasgados, rabiscos
pintam a minha casa;

enlaço um acaso na nuca
atraso um pouco, chego quase agora,
- tua boca é uma flor -
na nuca a unha o dente na carne crua: logo de manhã!

Desperta!

Acorda! a lua tua vida muda minha sua
Rasga os meus olhos também!
Me sangra o rosto com a tua boca!
finge que o lábio que eu tenho é o mesmo lábio que tu tem;

Desperta!

terça-feira, 12 de abril de 2011

hoje de manhã eu tive que lavar duas taças de vinho
ontem de manhã eu tive que tomar um gole d'água
aí antes de ontem eu lavei duas taças de vinho:
uma de branco outra de tinto
hoje de manhã eu lavei duas taças de tinto.

domingo, 10 de abril de 2011

Julgamento Impiedoso na Igreja de Machina

Não funfa mais!
Não funfa mái porra ninhuma!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

cabe tudo debaixo desse manto estrelado
todos nós cá abrigados estamos
todos nós dois.

anton webern

quando eu era criança bem criança
e ouvia o trem passando
ecoando o silêncio da madrugada
ressoando no nada o trilho metal contra metal
eu pensava que era deus tocando flauta

agora nesse mato seco
esplanada
eu vejo cada estrela
o céu nunca nubla
cada estrela tem um som
e eu penso: Anton Webern

domingo, 3 de abril de 2011

bicicletas

as bicicletas nas paredes as bicicletas na calçada as bicicletas debaixo da bunda deles
as bicicletas
as bicicletas voam

quinta-feira, 24 de março de 2011

todo fim de mês eu venho aqui correndo pra não dizer que não escrevi quase nada
mas tem gente que nem liga pra data.